quarta-feira, 6 de abril de 2011

Entrevista realizada com Dagmar Ramos - maio/2010

Texto escolhido para ser publicado no site da Faculdade Araguaia
Crescimento de depedentes de crack é preocupante, diz médica
Texto: Adriana Barboza
Edição: Prof. Marcus Minuzzi


Dagmar Ramos, empresária e médica especializada em Medicina Preventiva, falou aos alunos do 2º período de Jornalismo da Faculdade Araguaia sobre os usuários de crack e toda dificuldade que Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, mais conhecido como “Casa de Eurípedes”, onde trabalha, vem enfrentando com a demanda assustadora e a falta de ajuda do governo na recuperação de dependentes. A entrevista foi concedida no final do semestre 2010/1, como atividade da disciplina “Redação Jornalística”, ministrada pelo professor Marcus Minuzzi.

Dagmar, que ficou afastada por dois anos do hospital, voltou a atender há pouco menos de um ano. “Quando voltei a atender na Casa de Eurípedes, meus colegas de trabalho já haviam me alertado sobre este problema, mas só tomei conhecimento do que realmente estava acontecendo quando em um único dia atendi 20 casos de usuários de crack”, conta.

O perfil de um usuário de crack é o de uma pessoa de classe baixa. Uma pedra chega a custar R$ 5,00. Por este motivo, se torna uma droga mais acessível, e com um público maior. O período de tratamento de desintoxicação de um viciado, conforme a médica, é de 28 dias, porém, requer acompanhamento terapêutico, logo depois que o paciente recebe alta.

A Casa de Eurípedes  atualmente atende 70% de pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 30% de pacientes particulares. Com a demanda, a lista de espera já chega a 200 usuários, entre adolescentes e crianças, aguardando uma vaga para internação. A médica conta que o hospital não recebe o apoio necessário, principalmente financeiro, do governo, e vem buscando uma solução em reuniões com a Secretaria da Saúde do Estado e prefeitura.  “O governo vai ter que dar conta de uma legião de lesados”, desabafa.
 


A situação é gritante. No Brasil, estudos comprovam que o número de usuários de crack chega a 1,5 milhão.  “O crack se tornou uma pandemia.” Para a médica, a história e o comportamento familiar, principalmente dos pais, é um dos motivos que leva alguém a se tornar um usuário. Jovens filhos de pais que bebem e fumam tendem a se tornar usuários de droga mais cedo. Há casos de famílias com mais de um filho viciado em crack. “Eles roubam as telhas de casa para comprar crack”, diz a médica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou recentemente um decreto que institui um plano integrado de enfrentamento do crack e outras drogas. O plano prevê a capacitação de lideranças comunitárias, professores e outros agentes da sociedade civil como multiplicadores de informações sobre os riscos do uso da droga e seu poder de dependência. Para Dagmar, as autoridades demoraram a perceber o estrago que o crack vem causando no Brasil e no mundo. E aproveitou para sugerir o slogan de uma campanha contra o uso da droga: “Seja um craque de verdade, jogue esta pedra fora”.

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